Devotee um assunto polêmico !!!! Responda nosso Questionário !!!!
   
Não sei se é de conhecimento da maioria dos Deficientes do Brasil, mas quando soube do assunto decidi colher informações e divulgá-las através desse link, pois acredito ser de enorme importância a divulgação deste assunto. Até por curiosidade passei a frequentar mais as salas de Bate-papo de Deficientes para conseguir informações e acrescentei um questionário sobre o tema para obter mais informações sobre o assunto. Também inclui algumas fotos que encontrei no site www.bildagentur-querschnitt.de/ do fotógrafo Rasso Bruckert aos quais pertencem os méritos.

Não pretendo fazer nenhum juízo de valor a respeito desse assunto, mas apenas fornecer algumas informações que poderão esclarecer um pouco sobre o tema. Este link pretende descobrir a opinião das pessoas deficientes em relação aos devotees, ou seja, pessoas não deficientes (homens ou mulheres, hetero ou homossexuais) que se sentem atraídas sexualmente por pessoas com deficiência.
Estou anexando aqui algumas fotos tiradas do Site de Rasso Bruckert, pois achei as imagens lindas e quero compartilha-las com vocês. E também adcionei um questionário para quem já se relacionou com um Devotee.
Vou acrescentar aqui um artigo sobre o assunto escrito por Lia Crespo e retirado do site www.devotee.hpg.ig.com.br e espero que possa esclarecer algumas dúvidas, mas estarei pesquisando mais sobre o assunto e acrescentando neste link e se algum internauta quiser ajudar estarei em alguns dias acrescentando um questionário sobre o tema.
Atracão por pessoas com deficiência, preconceitos e mitos

Por Lia Crespo

Palestra apresentada durante XIX Conferência Internacional da Rehabilitation International, agosto, 2000, Rio de Janeiro.

Em julho de 1999, durante uma conversa na sala de bate-papo de um site destinado a deficientes, fui informada sobre a existência de homens que se sentiam sexualmente atraídos por mulheres portadoras de deficiência. Fiquei sabendo, então, que esses homens freqüentavam as salas de bate-papo e os murais de recados dos sites destinados a deficientes para fazer contato.

Com a descoberta de que existiam sites, contendo fotos e vídeos de mulheres deficientes, como se fossem uma espécie de Playboy virtual especificamente destinada a esses homens, senti como se estivesse descobrindo as peças faltantes de um quebra-cabeças que, há algum tempo, eu tentava montar, pois ao longo de minha vida, enquanto pessoa deficiente e militante do movimento em defesa dos direitos das pessoas deficientes, já havia me deparado com alguns homens que apareciam ter uma preferência sexual acentuada por deficientes.

Porém, até então, julgava esses casos como manifestações isoladas, sem interesse. Com a descoberta desse universo paralelo, regido por leis desconhecidas, esses "casos isolados" se revestiram de importância pois, obviamente, eram parte de um evento muito mais sofisticado do que eu imaginava.
Descobri, a partir de minhas pesquisas, que, além de não se tratar de "casos isolados", havia toda uma terminologia que definia o fenômeno e suas características.

Existem os devotees que são pessoas (homens ou mulheres, hetero, homo ou bissexuais) que se sentem sexualmente atraídas por pessoas com deficiência. Há também os pretenders que são pessoas que, além de serem devotees, sentem-se sexualmente estimuladas quando fingem ser deficientes, utilizando, em público ou privadamente, equipamentos como cadeira de rodas, muletas, bengalas, aparelhos ortopédicos.

Além disso, existem os wannabes que são devotees que desejam tornar-se, de fato, deficientes.

Embora tenha ganho visibilidade a partir do advento da Internet, segundo artigo do Dr. Richard L. Bruno, do Instituto de Pós-pólio do Hospital de Englewood, de Nova Jersey, EUA, a literatura médica relata casos de devotees desde 1800 e casos de wannabes são documentados a partir de 1882, "sem que, no entanto, suas causas tenham sido devidamente esclarecidas".
Tomando por fontes diversos devotees, com os quais mantenho contato virtual, fiquei sabendo que em outros países como, por exemplo, Estados Unidos e Inglaterra, há alguns anos, esse assunto tem sido objeto de estudo e discussão, não apenas entre os profissionais da área médica, mas também entre as pessoas deficientes e suas organizações representativas.

Até onde pude descobrir, não existem estudos sobre o devoteísmo no Brasil. Este assunto nunca foi objeto de discussão por parte das instituições prestadoras de serviço, nem pelas organizações de pessoas deficientes, permanecendo, até agora, desconhecido, embora sejam óbvias suas implicações para esse segmento da sociedade.

Para modificar esta realidade, concluí que era necessário iniciar uma investigação para saber mais sobre o assunto. Este trabalho contém, pois, algumas reflexões pessoais, troca de idéias com outras pessoas deficientes e com devotees, além do resultado parcial de um questionário respondido (via internet) por devotees ).

A partir da troca de experiências com outras pessoas deficientes, percebi que, geralmente, a descoberta do devoteísmo é seguida por cinco fases distintas.

Primeiro, a incredulidade: "Não é possível. Isto não existe."

Depois, vem o medo do desconhecido: "O que é isso? O que significa? Deve ser perigoso".

Em seguida, a perplexidade: "Então é isto o que me resta? Todas as pessoas que já se interessaram ou vão se interessar sexualmente por mim foram ou são devotees?"

Posteriormente, é a vez da raiva: "Como eles se atrevem a sentir tesão por uma condição que, em algum momento da vida das pessoas deficientes, representou, representa ou representará perda, dano, dor, sofrimento, discriminação, exclusão?"

Por fim, advém a fase da aceitação/fascinação: "Existe, tenho de aprender a conviver com isso. É inusitado e muito interessante! Preciso saber mais a respeito".

É claro que nem todas as pessoas, deficientes ou não, passam por todas essas fases e, quando passam, não é necessário que seja nessa ordem.
A partir do contato virtual com os devotees, percebi que a descoberta de seus sentimentos e desejos em relação às pessoas deficientes, geralmente, se dá na infância e adolescência e que a convivência com essa descoberta, quase sempre, é acompanhada pela angústia causada pelo isolamento decorrente do enorme segredo que elas carregam.
Os devotees com quem tenho mantido correspondência são unânimes em relatar a sensação de que - até que a Internet viesse resgatá-los desse lugar isolado - consideravam-se os únicos no mundo a terem esses sentimentos. Além disso, a proteção oferecida pelo anonimato próprio à Internet propiciou a essas pessoas a oportunidade de trocar experiências e informações com outros devotees e travar contato com pessoas deficientes, experiências totalmente inéditas para muitas delas.
Pouco a pouco, à medida em que fui tomando contato com os relatos povoados por sentimentos de culpa, vergonha e medo, pude perceber pessoas tridimensionais, nas quais, num primeiro momento, erroneamente, inha identificado apenas tarados.
Evidentemente, nem todos são iguais. Os próprios devotees se referem àqueles que, em sua ânsia de realizar suas fantasias sexuais, não medem as conseqüências de seus atos e suas palavras e podem causar danos emocionais em pessoas deficientes que, por desconhecimento, pensam estar obtendo uma coisa quando, na verdade, estão recebendo outra, não necessariamente pior.
Algumas pessoas deficientes que (em virtude da exclusão determinada pelo despreparo da sociedade em acolhê-las) não tiveram muitas oportunidades de exercer a sua sexualidade, ao tomarem conhecimento da existência dos devotees, imaginam que estes podem ser a resposta às suas preces. Outras, por outro lado, crêem que envolver-se com devotees significa necessariamente expor-se ao abuso. Conhecer os sentimentos tanto dos devotees quanto das pessoas deficientes, a partir de uma discussão desarmada deste assunto, é a melhor (e talvez a única) estratégia de que dispomos para compreender o devoteísmo e o que ele representa ou pode representar, tanto para os devotees quanto para as pessoas objeto de seu desejo. O objetivo deste site - mais do que difundir a informação - é suscitar a discussão, que pode colaborar para o estabelecimento de contatos positivos entre as partes. Creio que é possível amenizar a angústia do isolamento e o medo do desconhecido através da nomeação deste lugar ainda oculto pelas sombras da ignorância.